A jovem Rafaela Salvino que reside na comunidade Coronel, município de Teixeira, Paraíba, afirma que viver no campo é uma maravilha, principalmente na época do inverno. O período mais difícil é quando chega a estiagem, mas mesmo assim não trocaria o campo pela cidade. “A seca faz parte de nossa realidade, não se luta contra a seca, mas devemos aprender a conviver com ela”, disse Rafaela .
A agricultora que tem apenas 25 anos e que já morou na cidade, hoje vive no campo em uma propriedade de 3,4 hectares, com seu esposo José Uelyton (26 anos) e suas duas filhas, Ana Clara, de 9 anos, e Ana Liz, de 2 aninhos. A plantação do roçado e o quintal produtivo da família ocupa uma média de 1 hectare. Rafaela possui um pomar diversificado, com plantas frutíferas (laranja, limão, manga, pinha, banana, acerola, graviola, etc), um roçado (milho, feijão, fava, jerimum e melancia) e ainda criação animal (suínos, bovinos e aves).
A produção é prioritariamente para o consumo familiar, mas o excedente é comercializado, o que contribui significativamente para a renda familiar. Antes a única renda vinha do Bolsa Família ou de algum serviço que surge eventualmente para o seu esposo. “Nossa vida mudou bastante depois que compramos a vaca e começamos a vender o leite. Temos muitos clientes, existe uma grande procura pelo produto. Tiramos o leite para a nossa filha mais nova e vendemos o restante, se eu fosse comprar o leite para minha filha eu iria gastar mais de R$ 150 por mês”, disse Rafaela.


Através do esforço e dedicação da família, foi possível adquirir uma motocicleta, o que facilitou bastante a entrega dos produtos comercializados. “Graças a Deus compramos uma moto, quando as pessoas da cidade ou das comunidades precisam de leite, carne de porco ou galinha, elas ligam, fazem o pedido e eu levo. Agradeço a Deus por eu fazer minhas coisas certas e por me proporcionar coragem para eu trabalhar todos os dias,” enfatiza a jovem agricultora.
Antes a água utilizada para regar (molhar) a plantação e para os animais tinha origem de uma única fonte, uma cisterna de 16 mil litros que a família possui e que foi construída com recursos próprios. “Antes tínhamos também a ajuda do vizinho, mas como ele vendeu a propriedade agora a nossa única alternativa é a cisterna ou quando Deus manda chuva,” conta Rafaela.

“Nós também economizamos bastante água, reutilizamos a água do banho e da lavagem de louças para o que for possível, mas estamos todos muito felizes, uma vez que fomos contemplados com o programa “Uma Terra e Duas Águas (P1+2)”, onde recebemos uma cisterna de 52 mil litros, e com certeza nossa vida vai melhorar e teremos mais condições de aumentar a nossa criação e produção de alimentos saudáveis ,” acrescenta a jovem agricultora.
Rafaela é bastante atuante, participa do Fundo Rotativo Solidário (FRS) e já recebeu o apoio do Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS) através do Programa Sertão Agroecológico e Solidário que a ajudou na aquisição de uma Vaca e da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regionalização Agrária (EMPAER) na construção de um aviário.

Ao falar do processo formativo realizado pelo CEPFS do qual participa, relata que considera muito importante. “É algo muito positivo, adquirimos novos conhecimentos, conhecemos várias pessoas, experiências, e isso acaba nos inspirando e dando coragem para aumentar nossa produção”, disse Rafaela.
Rafaela tem muitos sonhos. Por exemplo, a plantação de capim, visando ter comida para o gado na época de estiagem, e também o desejo de construir tanques para ampliar a capacidade do armazenamento de água na propriedade.
