
Com a participação de jovens, de comunidades rurais dos municípios de Teixeira, Matureia e Imaculada, o Centro de Educação Popular e Formação Social – CEPFS realizou nos últimos dias 4 e 5 de março, na comunidade Poços de Baixo, Teixeira, uma oficina sobre Sistematização de Experiências em Boletins.
No primeiro dia de oficina os jovens conheceram e aplicaram técnicas de comunicação para sistematização de experiências em boletins. Durante a atividade prática eles sistematizaram a experiência do Fundo Rotativo Solidário da comunidade Poços de Baixo. Na oportunidade visitaram a agricultora Maria José para a realização de entrevistas e captação de fotos. A entrevistada relatou aos jovens a diversidade de benefícios adquiridos pela sua família através do Fundo Rotativo.
“Através do Fundo Rotativo Solidário fomos beneficiados em diversas necessidades, meu esposo fez uma cirurgia no olho, eu fiz uma cirurgia na mama, reformamos o banheiro, construímos uma cozinha, um fogão, entre outros”. Enfatizou Maria José
No segundo dia de atividade foi apresentada a sistematização do boletim e em seguida os jovens discutiram sobre seus sonhos, as iniciativas que gostariam de desenvolver no campo e as dificuldades para a realização de seus ideais, apontando caminhos para melhoria da qualidade vida e permanência no campo.
A jovem Elisângela da comunidade São Francisco, Teixeira, destacou o preconceito vivenciado na infância quando estudava na cidade e a importância da educação contextualizada para a zona rural. “Estudava na cidade e sofria muito preconceito por ser da zona rural, isso me intimidava e eu evitava interagir nas discussões em sala de aula e até repeti de série. Hoje tenho orgulho de ser do campo e vejo também que na zona rural o ensino é falho, nossos livros abordam outras realidades, queremos que valorizem o campo e que traga conteúdos voltados para a nossa realidade”.
Dentre as iniciativas que poderão contribuir para a permanência dos jovens no campo foram apontadas: implantação de pontos de comercialização de produtos agroecológicos; estruturação das propriedades para o desenvolvimento das atividades de caprinocultura, ovinocultura e piscicultura; implantação de tecnologias sociais para captação e armazenamento de água para produção de alimentos.
A atividade foi um momento importante para motivar a juventude para o processo de sistematização e divulgação das experiências desenvolvidas pelos agricultores e agricultoras de base familiar e perceber e refletir sobre os potenciais e as possibilidades que a região oferece.